De olhos fechados, deixando-se tocar pela música e aguçando todos os sentidos. Este foi o clima da oficina de Metodologia de musicalização para deficientes visuais que abriu nesta sexta-feira (31), o II Seminário de Violão de Itajaí, evento que segue até o próximo domingo (2) no curso de Música da Univali (Universidade do Vale do Itajaí).
A oficina ministrada por Isabel Bertevelli surgiu com o intuito de capacitar músicos para dar aulas para deficiente visuais e contou com a participação de alunos cegos ou não. Isabel mostrou os passos de integração com o aluno cego, desde a recepção deles em sala, a apresentação do espaço em que estão inseridos, até o contato físico com o instrumento.
A musicalização de cegos ainda é algo muito raro. Em Itajaí, por exemplo, a Associação de Deficientes Fisicos de Itajaí e Região (ADVIR) conta com projetos de música, mas não encontra professores capacitados, o que despertou nos organizadores do Seminário a busca desta oficina para promover a inclusão através da música.
Para Isabel Bertevelli esta escassez de educação musical para cegos é uma realidade em todo país. Segundo ela, os dois principais motivos são justamente a falta de professores preparados e a falta de material especifico. “A barreira inicial, é a falta de conhecimento sobre o cego, os pré-conceitos. Para mim, nós todos nascemos com as mesmas habilidades o que nos difere é a falta de oportunidades e infelizmente as oportunidades para os cegos ainda são infinitamente menores”, afirma a professora.
Isabel conta que iniciou seu trabalho com deficientes visuais há 18 anos: “Eu queria dar aula e soube que uma escola de cegos precisava de uma professora de música. Nunca tinha tido contato com um deficiente visual, fui pela aula, mas quando entrei na escola me apaixonei por aquele mundo e tive certeza ‘nunca mais vou sair daqui’ e nunca mais saí”.
Hoje ela é uma das poucas pessoas do país oficialmente habilitadas na musicografia em braile e formação de professores de musicalização para cegos e diz que ainda há uma longa jornada pela frente, mas que aos poucos, as políticas públicas de inclusão e as mudanças na educação estão mudando a cabeça das pessoas, quebrando preconceitos e abrindo mais portas.
O músico Rafael Salvador é aluno do curso de licenciatura em Música e diz que participar da oficina de Metodologia de musicalização para deficientes visuais foi um excelente aprendizado: “Acredito que dar aula para deficientes visuais é uma excelente fatia do mercado para os professores de música. Mas, além disso, tinha um interesse enorme nos cegos porque existe aquele mito de que são excelentes músicos por terem o ouvido muito mais aguçado, é uma troca inestimável. Quem ensina música para um cego certamente também aprende muito”, afirma Salvador.
Nestes sábado e domingo, dias 1 e 2, o Seminário segue com as oficinas sobre Metodologia para o ensino do violão erudito, com Henrique Pinto e à tarde com Alessandro Penezzi ministrando o curso sobre Violão popular solo e violão popular acompanhamento. Na manhã de domingo, também haverá uma máster class com Henrique Pinto.
Na noite de sábado, às 20h30, no auditório do curso de Música, será realizada a Mostra Regional de Violão. A entrada é franca e a mostra visa dar oportunidade pra os violonistas da região mostrarem o trabalho.
Já o encerramento do II Seminário de Violão de Itajaí, no domingo (2), contará com um show especial de Alessandro Penezzi, a partir das 20h30, no auditório do Porto Municipal de Itajaí. O ingresso para a noite de encerramento custa R$ 10.
O II Seminário de Violão de Itajaí é uma realização da AVI com o patrocínio da Fundação Cultural de Itajaí, Lei Municipal de Incentivo à Cultura e Max Imóveis, com o apoio da Univali, Conservatório de Música Popular de Itajai, Zabumba Livros Musicais, Café Maestro Estúdio Musical, Univital, Bokerão Dupera, Porto de Itajaí e Rádio Educativa Univali FM.
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